capafiinal_1.png

Que tal uma conversa sobre reuso de águas?

Esta é mais uma aula livre de uma série de eventos promovidos pela Techideias para o curso Reuso de Águas.


Esta aula será ministrada pela Dra. Ana Silvia, professora do Departamento de Engenharia Sanitária e do Meio Ambiente da UERJ especialista em temas relacionados ao tratamento de esgotos, controle de poluição de corpos hídricos e mais especificamente em água de reuso e Bruna Araujo, mestre em Engenharia Ambiental pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), tutora da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental ( ABES) e consultora ambiental.

 

Vem com a gente navegar através do conhecimento da história do reuso de águas.


Contamos com a sua participação ativa. Esse é o nosso novo momento!

 

Será fornecido certificado de participação online diretamente em seu e-mail, somente àqueles que se inscreveram e comparecerem a transmissão.

Perguntas e Respostas

Adriano Gonçalves dos Reis​

#Qual a legislação/portarias aplicáveis ao reuso de água, quando a origem da água de reuso é um efluente sanitário tratado?

#Quais padrões de qualidade devem ser seguidos para que um efluente terciário possa ser reusado?

Adriano, ainda não temos no Brasil uma regulamentação federal com padrões de qualidade de água para a prática do reuso. Temos somente um documento orientativo desenvolvido no âmbito do Projeto Interáguas do Governo Federal. Nos níveis municipal e estadual, podemos destacar somente as legislações do município de Campinas, do estado do Ceará e do Estado de São Paulo. Ainda, foi implementada no final de 2019, a NBR 16783 sobre o uso de fontes alternativas não potáveis em edificações.

Seguem as referências:

  • CAMPINAS. Resolução conjunta SVDS/SMS N° 09/2014. Estabelece modalidades, diretrizes e critérios gerais para reuso direto não potável de água, proveniente de Estações de Tratamento de Esgotos (ETEs) de sistemas públicos para fins de usos múltiplos no município de Campinas. Campinas, 2014.

  • CEARÁ. Resolução COEMA N° 2/2017. Dispõe sobre padrões e condições para lançamento de efluentes líquidos gerados por fontes poluidoras. Fortaleza, 2017.

  • PROGRAMA DE DESENVOLVIMENTO DO SETOR ÁGUAS (INTERÁGUAS). Elaboração de proposta de plano de ações para instituir uma política de reuso de efluente sanitário tratado no Brasil. Produto III – Critérios de qualidade de água. 2018. Disponível em: http://arquivos.ana.gov.br/interaguas/MCID_Reuso_Produto3-CriteriosdeQualidadedaAguadeReuso.pdf. Acesso em: 19/01/2020.

  • SÃO PAULO. Resolução conjunta SES/SIMA N° 1/2020. Disciplina o reuso direto não potável de água, para fins urbanos, proveniente de Estações de Tratamento de Esgoto Sanitário. São Paulo, 2020.

  • ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). Norma Brasileira NBR 16783/2019 – Uso de fontes alternativas não potáveis em edificações. Rio de Janeiro, RJ, 2019.

Marcos Serpa​

#85% do PIB é gerado à 500km do litoral. A dessalinização seria protagonista ou coadjuvante no combate ao abastecimento intermitente de água!?

#Qual o risco p saúde em comer uma fruta cuja árvore cresce às margens de um rio muito poluído (classe IV)!?

Marcos, conforme mostrado na apresentação, a dessalinização não deve ser confrontada com o reuso e sim, um deve ser complementar ao outro. Cada caso é um caso e deve ser analisado dentro de um planejamento estratégico. Na região Nordeste do país, a dessalinização não ocorre somente para águas salinas do litoral. Ela acontece também para água salobra do interior. Assim, ambos, reuso e dessalinização, devem ser avaliados de maneira conjunta para solução dos problemas de estresse hídrico da região.

No caso da irrigação de árvores frutíferas com água de reuso, há que se destacar que os microrganismos não entram na planta pelas raízes. Assim, é necessário todo um cuidado de manuseio para a irrigação adequada. Isso vale para a árvores que cresce às margens de um rio poluído, conforme a sua pergunta

Marco Alexandro André​#o que os governos devem fazer para expandir o reúso para as diversas partes do país? Os custos são altos e temos lacunas jurídicas e ambientais.

Marco Alexandro André

​#legalmente no Brasil, quem é o detentor da água de reúso? Essa água é passível de outorga ou apenas licenciamento? Ou nem um nem outro?

Marco, nós acreditamos em 4 aspectos principais conforme destacado na apresentação dentro de uma abordagem estratégica de planejamento:

Neste caso, a principal delas é o desenvolvimento de políticas, critérios e regulamentos apropriados. Trata-se não somente de decretar uma lei e sim de elaborar um plano estratégico de reuso com metas atuais e futuras, de curto, médio e longo prazo. Nesse sentido, devem-se abordar nesse planejamento além da determinação de padrões de qualidade:

  • Normas e diretrizes de licenciamento,

  • Critérios de responsabilidades entre o produtor e o consumidor da água de reuso,

  • Avaliação e gestão de risco racional de acordo com as particularidades e capacidades locais,

  • Seguro contra incidentes,

  • Mecanismos eficazes para aceitação de público e de usuário.

Sugiro a leitura do Guia para Reutilização que acompanha o Decreto Lei nº 119/2019 de Portugal. Seguem referências para ampliar o conhecimento:

- PORTUGAL. Decreto Lei N° 119 de 21 de agosto de 2019. Estabelece o regime jurídico de produção de água para reutilização, obtida a partir do tratamento de águas residuais, bem como da sua utilização. Portugal, 2019.

- APA – AGÊNCIA PORTUGUESA DO AMBIENTE. Guia para reutilização de água – usos não potáveis. Lisboa, 2019.

Neste caso, como ainda não há uma regulamentação específica para esse fim no Brasil, também não há responsabilidades definidas. Para formação de opinião, sugiro a leitura do Guia para Reutilização de Água de Portugal, que define claramente o processo de licenciamento tanto para o produtor como para o consumidor da água de reuso. Ainda, a título de curiosidade, em Israel, toda a água do país é gerida pelo Estado. Até mesmo a água da chuva que precipita em uma área privada é de propriedade do Estado. Para conhecer bem essa política de Israel, sugiro a leitura do excelente livro “Faça-se a Água – A Solução de Israel para um Mundo com Sede de Água.

 

Marcelo Peixoto​

#O que se tem de casos práticos de reuso na agricultura ou piscicultura a nível de Brasil? O que falta para isso ocorrer de fato?

#Há alguma iniciativa pública de sucesso de reuso na agricultura ou piscicultura no Brasil?

​#Por que o reúso da água proveniente de esgotos domésticos não é realizado na região nordeste por exemplo, onde há escassez desse recurso?

Marcelo, os casos de agricultura e piscicultura ainda são um pouco tímidos no Brasil e estão mais concentrados na Região do Semiárido. Infelizmente, não há muita divulgação desses dados. Recentemente houve um webinar sobre esse assunto. Deixo aqui o link para o aprimoramento: https://www.youtube.com/watch?v=1NQigRC389c

A Região Nordeste do país sofre com a gestão de saneamento ambiental e recursos hídricos e notadamente sempre recebeu menos investimentos e recursos financeiros no setor. É preciso uma gestão adequada para com planejamento estratégico para efetivação e institucionalização da prática de reuso.

#Há legislação para reuso de água no Brasil por tipo de utilização, seja na agricultura, piscicultura ou indústria?

Marcelo, ainda não temos no Brasil uma regulamentação federal com padrões de qualidade de água para a prática do reuso. Temos somente um documento orientativo desenvolvido no âmbito do Projeto Interáguas do Governo Federal. Nos níveis municipal e estadual, podemos destacar somente as legislações do município de Campinas, do estado do Ceará e do Estado de São Paulo. Ainda, foi implementada no final de 2019, a NBR 16783 sobre o uso de fontes alternativas não potáveis em edificações.

Seguem as referências:

  • CAMPINAS. Resolução conjunta SVDS/SMS N° 09/2014. Estabelece modalidades, diretrizes e critérios gerais para reuso direto não potável de água, proveniente de Estações de Tratamento de Esgotos (ETEs) de sistemas públicos para fins de usos múltiplos no município de Campinas. Campinas, 2014.

  • CEARÁ. Resolução COEMA N° 2/2017. Dispõe sobre padrões e condições para lançamento de efluentes líquidos gerados por fontes poluidoras. Fortaleza, 2017.

  • PROGRAMA DE DESENVOLVIMENTO DO SETOR ÁGUAS (INTERÁGUAS). Elaboração de proposta de plano de ações para instituir uma política de reuso de efluente sanitário tratado no Brasil. Produto III – Critérios de qualidade de água. 2018. Disponível em: http://arquivos.ana.gov.br/interaguas/MCID_Reuso_Produto3-CriteriosdeQualidadedaAguadeReuso.pdf. Acesso em: 19/01/2020.

  • SÃO PAULO. Resolução conjunta SES/SIMA N° 1/2020. Disciplina o reuso direto não potável de água, para fins urbanos, proveniente de Estações de Tratamento de Esgoto Sanitário. São Paulo, 2020.

  • ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). Norma Brasileira NBR 16783/2019 – Uso de fontes alternativas não potáveis em edificações. Rio de Janeiro, RJ, 2019.

                                                                

Lorraine Vianna​

#Gostaria da sua opinião de como deve caminhar a legislação no Brasil para que não tenhamos esse tipo de exigências pelos órgãos ambientais.

​#Qual a diferença de reciclagem e reuso de água que vc menciona?

Lorraine, a legislação, para qualquer situação, inclusive para a prática de reuso de água deve ser adequada às particularidades locais e regionais. É de fundamental importância que a regulamentação como um todo, considerando não somente a lei, mas também as diretrizes, critérios e orientações sejam todos definidos de maneira coerente para evitar esse tipo de sobreposição.

Aqui em Portugal, o Decreto Lei 119/2019 foi criado juntamente com o Guia para Reutilização de Águas exatamente para adequar as soluções e os mecanismos. Sugiro a leitura de ambos para aprimoramento. Seguem as referências

PORTUGAL. Decreto Lei N° 119 de 21 de agosto de 2019. Estabelece o regime jurídico de produção de água para reutilização, obtida a partir do tratamento de águas residuais, bem como da sua utilização. Portugal, 2019.

APA – AGÊNCIA PORTUGUESA DO AMBIENTE. Guia para reutilização de água – usos não potáveis. Lisboa, 2019.

Luciano Dias Xavier

​#Houve a contaminação da geosmina na ETA Guandu, foi utilizado carvão ativado para adsorção. Poderia ter sido difundida como técnica de reuso para o tratamento em ETEs no estado. Qual a sua opinião?

Luciano, o carvão ativado é sem dúvida uma das tecnologias adotadas para o tratamento avançado de águas residuárias não somente para lançamento em corpos receptores, mas também para o reuso.

Unidades de filtração em carvão, antracito e areia pode agir como preparação do efluente para uma adequada desinfecção, já que têm o objetivo de reduzir a turbidez e consequentemente melhorar o desempenho do agente desinfetante. Segue link da dissertação da Bruna Araújo que aborda a filtração terciária com carvão para desinfecção em duplo estágio para água de reuso.

http://www.peamb.eng.uerj.br/producao.php?id=732

 

Renato Ribeiro

​#essa lavagem com efluentes tratados poderia gerar um risco para a população?

Renato, o uso do efluente para qualquer aplicação gera risco para usuários, operadores e meio ambiente. Dessa forma, enfatizamos bastante na apresentação a necessidade absoluta de estudos de Avaliação de Risco para a prática de reuso.

Alessandra Pereira Ribeiro da Silva

​#Com trabalhos comprovando a presença do coronavírus no esgoto, há segurança durante a pandemia para o reuso de efluentes de ETEs para lavagem de ruas?

Alessandra, a presença de fragmentos de SAR-Cov-2 no esgoto não garante a sua transmissibilidade por via feco-oral. Mas de qualquer maneira, é importante que se tenha o mesmo cuidado em relação aos demais microrganismos patogênicos que são transmissíveis por via feco-oral e estão em grandes densidades no esgoto doméstico.

Amanda Baião​

# qual a diferença entre potável direto/ ind?

Amanda, conforme foi abordado na apresentação e está bem definido em um dos materiais complementares que passamos para os participantes, os conceitos de um e outro são:

Reuso potável indireto: é quando a água de reuso é adotada para aumentar a quantidade de água em mananciais de abastecimento, caracterizando a sua diluição em águas naturais. Esse aumento pode ser realizado em recarga de aquíferos por espalhamento ou injeção ou em águas superficiais, antes do ponto de captação. Assim, após a captação, a água passara por tratamento em ETA e posteriormente é encaminhada ao abastecimento público.

Reuso potável direto: é quando a água de reuso já atinge qualidade para abastecimento direto da população ou é injetada na linha da captação a ser direcionada à ETA antes do abastecimento público.

É importante ressaltar que em ambos os casos, a qualidade necessária é alcançada em Estação de Tratamento Avançada. Sugiro a leitura de um dos materiais complementares passados aos participantes da Aula Livre, conforme referência indicada abaixo:

ANGELAKIS, A.N.; ASANO, T.; BAHRI, A.; JIMENEZ, B.E.; TCHOBANOGLOUS, G. Water reuse: from ancient to modern times and the future. Frontiers in environmental science, v. 6, n. 26, 2018

# temos no Brasil várias estações em margem de rios despejando seu efluente no corpo dagua. Porém, a eficiência prometida não bate com a real. Existe fiscalização pro trat. particular?

Amanda, infelizmente o Brasil não prima pela fiscalização de qualidade. A sua preocupação é legítima, mas mesmo em condições de ETEs operadas por companhias de água e esgoto ou por prefeituras, há o problema de lançamento inadequado de efluentes. Esse é um dos grandes problemas que levam à má qualidade dos corpos hídricos nacionais. A fiscalização deveria existir, mas há serias deficiências no país em relação a esse aspecto.

 

Dani Dani​

#Alguma informação sobre reuso na Holanda?

Dani, não conheço nenhuma instalação de reuso de águas na Holanda, mas eu quase que poderia afirmar que existe, já que a adoção da água de reuso como fonte alternativa de água é uma orientação da União Europeia.

Para maior conhecimento segue notícia recente sobre a recente aprovação do reuso de efluentes pela União Europeia

https://www.europarl.europa.eu/news/en/press-room/20200512IPR78921/parliament-approves-increased-water-reuse

 

Paulo Bernardo Neves e Castro​

#Num contexto rural, onde o reuso talvez seja ainda mais "de facto", quais as perspectivas, em termos de segurança desse recurso, quando consideramos tecnologias mais acessíveis de tratamento?

Paulo, de fato é uma grande preocupação a sua abordagem. Em regiões mais urbanizadas, espera-se ETEs com tecnologias mais avançadas e melhores índices operacionais. Porém, nas regiões rurais e mais afastadas, as tecnologias são, geralmente, mais simples e há uma maior dificuldade em se garantir a operação adequada. Dessa forma, há sim uma maior preocupação com o reuso potável indireto não planejado (reuso de facto). Porém, assim como foi mencionado na Aula Livre, em qualquer situação (urbana ou rural), é preciso assumir essa prática para adequá-la.

Renato Ribeiro

​#o reúso seria uma boa opção para polimento de efluentes, como N e P? Irrigação de áreas agrícolas, por exemplo.

Renato, não sei se entendi direito a sua pergunta. De maneira geral, o efluente com altas concentrações de N e P tem uma alta aplicabilidade na irrigação e nesse contexto esse reuso praticado ganha o nome de “fertirrigação”. Dessa forma, essa prática de reuso acaba por sanar as deficiências tanto de água como de nutrientes.

Ainda é importante destacar que o tratamento terciário ou avançado pode ter objetivos diferentes: remoção de nutrientes; ou remoção/inativação de microrganismos patogênicos. A primeira opção ocorre em geral no processo de lodo ativado otimizado para remoção biológica de nutrientes ou ainda em processo de precipitação química de fósforo. A segunda é conhecida por desinfecção e em geral é realizada por cloração, radiação UV (natural ou artificial) ou ozonização.

 

Thiago Morandi

​#Como podemos trabalhar a questão da aceitação do reúso dentro do Brasil? E ainda, como poderiam ser direcionadas politicas de incentivo à prática?

Thiago, conforme abordado na apresentação, a aceitação do público é uma questão de confiança. Para isso, é preciso o desenvolvimento de projeto de conscientização e de aproximação do público, além de desenvolvimento e monitoramento de projeto piloto com transparência.

As políticas públicas nesse caso devem abranger uma lista de leis, decretos, normativas, critérios e diretrizes, além de documentos orientativos. Aqui em Portugal, o Decreto Lei 119/2019 foi criado juntamente com o Guia para Reutilização de Águas com o objetivo de orientar as açõe. Sugiro a leitura de ambos para aprimoramento. Seguem as referências

PORTUGAL. Decreto Lei N° 119 de 21 de agosto de 2019. Estabelece o regime jurídico de produção de água para reutilização, obtida a partir do tratamento de águas residuais, bem como da sua utilização. Portugal, 2019.

APA – AGÊNCIA PORTUGUESA DO AMBIENTE. Guia para reutilização de água – usos não potáveis. Lisboa, 2019.
 

Emersonipatinga

#E a questão da retirada de metais pesados e compostos orgânicos tóxicos, já que o esgoto das cidades é bastante heterogêneo?

Emerson, o seu questionamento faz todo o sentido. Às vezes nos preocupamos demasiadamente com a questão do risco microbiológico. Porém é importante sim se atentar para a questão dos compostos químicos. Assim, conforme foi abordado na apresentação, a gestão de risco deve ser tanto para o risco microbiológico como para o risco químico.
 

SidneiGSJ

#Boa Noite. A riqueza hidrica do Brasil é uma questão que "atrapalha" a legislação brasileira na questão do reúso

Sidnei, esse seu comentário é bastante relevante. No Brasil há uma cultura de falsa abundância de água. Em termos nacionais, há sim uma enorme disponibilidade hídrica, em torno de 35.000 m3/hab/ano. Segundo a ONU, a recomendação de adequada disponibilidade hídrica é de 2.500 m3/hab/ano. Nesse sentido, em termos nacionais, o Brasil encontra-se em situação bastante confortável. Entretanto, há uma distribuição bastante desigual em relação à disponibilidade hídrica e a população. Na região Norte concentra-se a maior quantidade de água, porém o menor contingente populacional. O oposto pode ser observado nas regiões Nordeste e Sudeste. Por exemplo: no estado de SP, a disponibilidade hídrica é de 2.400 m3/hab/ano; na RMSP, 200 m3/hab/ano; e na região do ABC paulista, 130 m3/hab/ano. Essa foi inclusive, a grande motivação para o desenvolvimento do Projeto Aquapolo para reuso industrial em São Paulo
 

Álvaro Diogo S. Teixeira​

#Profª Ana Silvia, boa tarde! Será abordada a nova ABNT NBR 16.783:2019 que trata do uso de fontes alternativas de água não potável em edificações?

Álvaro, esse assunto foi comentado de maneira diagonal na apresentação, quando abordamos uma das tendências atuais sobre a institucionalização da prática de reuso. Trata-se da “gestão integrada das águas residuais”. Nesse sentido, há que se ter uma integração entre os sistemas centralizados e descentralizados. É aí que ganha destaque a NBR 16.783:2019 que abordas as fontes alternativas de água potável em edificações (sistemas descentralizados).

 

Lucas Chamhum​

#Considerando o cenário de tratamento de esgotos no Brasil, qual a categoria/finalidade vocês entendem como mais indicada para implementação do reúso em curto prazo no país?

Lucas, a sua pergunta é bastante interessante, mas considerando as dimensões continentais do Brasil e as grandes diferenças socioeconômicas, ambientais e culturais entre suas regiões, se torna quase impossível responder essa pergunta. Assim, acredito que cada região tem particularidades que acabam por levar ao desenvolvimento de determinadas ações para a institucionalização da prática. E é exatamente aí que entra a necessidade de um planejamento estratégico e adequado às características e particularidades regionais. Na região industrializada de São Paulo há uma forte tendência ao reuso industrial, além do reuso descentralizado na malha urbana. Porém, em regiões mais rurais e que dependem fortemente da agricultura, a institucionalização da prática de reuso para a irrigação agrícola pode inclusive alavancar o desenvolvimento socioeconômico. Esse é o caso de Regiões Hidrográficas Brasileiras como Parnaíba (inserida no Semiárido), Atlântico Leste e Tocantins Araguaia. Até mesmo na Região Hidrográfica do Paraná que abrange estados de SP, PR, MS, MG, GO, SC, DF, a irrigação agrícola pode ser um dos principais usos para a água de reuso, já que representa a maior demanda hídrica do país para este fim.

No âmbito do grupo de Pesquisa “Reuso: Tecnologias, Gestão e Governança”, foi realizado um trabalho de pesquisa com esse tema. O artigo ainda foi submetido, mas ainda não está publicado. Assim, sugiro a leitura do Trabalho de Conclusão de Curso da Maira Araújo de Mendonça Lima, onde esses dados podem ser encontrados. Segue referência para aprimoramento:

LIMA, M.A.M. Avaliação do potencial de reuso de efluente de tratamento de esgotos para irrigação nas regiões hidrográficas brasileiras. Trabalho de Conclusão de Curso em Engenharia Ambiental da Universidade do Estado do Rio de Janeiro/UERJ. 2019.
 

Raúl Ángel

#​Boa tarde, O processo de dessalinização da água provou ser tecnicamente viável. Considerando que o Brasil tem um ótimo litoral. A dessalinização da água é uma prioridade para o Brasil?

Raul, essa resposta é similar àquela dada ao Marcos. Conforme mostrado na apresentação, a dessalinização não deve ser confrontada com o reuso e sim, um deve ser complementar ao outro. Cada caso é um caso e deve ser analisado dentro de um planejamento estratégico. Assim, ambos, reuso e dessalinização, devem ser avaliados de maneira conjunta para solução dos problemas de estresse hídrico. A dessalinização deve ser prioridade onde uma avaliação técnica e econômica demonstre maior viabilidade.

Este é o nosso momento!

©2020 por Tech Ideias. Orgulhosamente criado com Wix.com para você